" Na vida, o que importa é saber o que não fazer. Porque a maioria das pessoas quer saber o que deve fazer, para onde ir, o que deve buscar... Mas nós dizemos: o que não fazer, é o mais importante.

As pessoas que sabem o que é errado, o que faz mal, que t
êm noção dos limites, são as mais felizes.

Errar dá trabalho. Quanto tempo as pessoas perdem, tentando limpar seus erros? Muito tempo, não é? E, por que isso? Simplesmente, por que erraram, julgaram, invadiram a vida das outras pessoas com suas idéias, preconceitos...

O mundo não precisa disso. O mundo precisa de amor!"

Pena Verde

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terça-feira, 8 de agosto de 2017

Até que um dia, meu filho quase chamou a babá de" mãe"!

Certa de pegar um caminho desse e não voltar mais.
O CAMINHO DE VOLTA
Da Jornalista Teta Barbosa

"Já estou voltando!!

Só tenho 45 anos e já estou fazendo o caminho de volta.
Até o ano passado, eu ainda estava indo...
Indo morar no apartamento mais alto, do prédio mais alto, do bairro mais nobre.
Indo comprar o carro do ano, a bolsa de marca, a roupa da moda.
Claro que para isso, durante o caminho de ida, eu fazia hora extra, fazia serão, fazia dos fins de semana eternas segundas-feiras.

Até que um dia, meu filho quase chamou a babá de "mãe"! Mas, com quase cinquenta, eu estava chegando lá. Onde mesmo? O que ninguém conseguiu responder.
Eu imaginei que quando chegasse lá, ia ter uma placa com a palavra "fim". Antes dela, avistei a placa de "retorno" e, nela mesmo, dei meia volta.

Comprei uma casa no campo (maneira chique de falar, mas ela é no meio do mato mesmo). É longe que só a gota serena! Longe do prédio mais alto, do bairro mais chique, do carro mais novo, da hora extra, da babá quase mãe.
Agora tenho menos dinheiro e mais filho.
Menos marca e mais tempo. E não é que meus pais (que quando eu morava no bairro nobre me visitaram quatro vezes em quatro anos), agora vêm pra cá todo fim de semana?
E meu filho anda de bicicleta, eu rego as plantas e meu marido descobriu que gosta de cozinhar (principalmente quando os ingredientes vêm da horta que ele mesmo plantou).

Por aqui, quando chove, a Internet não chega. Fico torcendo que chova, porque é quando meu filho, espontaneamente (por falta do que fazer mesmo), abre um livro e, pasmem, lê.
E no que alguém diz: "a internet voltou!", já é tarde demais, porque o livro já está melhor que o Facebook, o Instagram e o Snapchat juntos.

Aqui se chama "aldeia" e tal qual uma aldeia indígena, vira e mexe eu faço a dança da chuva, o chá com a planta, a rede de cama. No São João, assamos milho na fogueira.
Aos domingos, converso com os vizinhos. Nas segundas, vou trabalhar, contando as horas para voltar...

Aí eu me lembro da placa "retorno", e acho que nela deveria ter um subtítulo que diz assim: "retorno – última chance de você salvar sua vida!"
Você, provavelmente, ainda está indo. Não é culpa sua. É culpa do comercial que disse: "Compre um e leve dois".
Nós, da banda de cá, esperamos sua visita. Porque sim, mais dia menos dia, você também vai querer fazer o caminho de volta..."

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