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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Criação intensiva de animais para consumo de carne tem impactos no meio ambiente e na saúde do consumidor


Vacas
Gasto de água, liberação de gases estufa, aditivos nocivos e muitos outros. 


O Brasil é o maior exportador de carne bovina e de frango e o quarto maior de carne suína. O mercado interno também não para de crescer. Essas notícias parecem boas para os produtores, mas e para nós, os consumidores? Uma demanda tão grande de carne traz consequências, desde a construção da fazenda até o nosso estômago. Entenda:

Como funciona?

Para aumentar a produção, os criadores procuram implantar o sistema intensivo ou de confinamento, colocando o maior número de animais no menor espaço possível e por um tempo mais curto, assim podem ter controle mais acurado sobre eles. O problema é que esse sistema gasta mais água e exige mais ração - feita principalmente de milho e soja - na alimentação dos animais, o que o torna um inconveniente nas questões ambientais. A carne de cordeiro e de bovinos, os ovos, o milho e a soja estão entre as dez comidas gostosas que fazem mal para o meio ambiente, embora sejam elas as que mais têm recebido investimentos.

Além disso, alguns produtores utilizam promotores de crescimento que contém substâncias nocivas, como a ractopamina e o arsênico. Essas substâncias podem se acumular na carne e serem excretadas pelos animais, contaminando o ambiente. E por falar em contaminação ambiental, você já parou para pensar sobre o que acontece com os dejetos dos animais? A opção de destino mais sustentável é a biodigestão (saiba mais aqui e aqui), mas poucas fazendas fazem isso. O método mais utilizado para destinar os dejetos é a esterqueira, que é um grande tanque impermeável em que o material fica por 120 dias, até sofrer a fermentação. Este método impede a contaminação do solo pela amônia e por organismos patogênicos dos dejetos, mas não impede a liberação de gases que desequilibram o efeito estufa.

A produção em sistemas de confinamento também é ruim em um contexto social, pois a quantidade de alimentos de origem vegetal usada para alimentar esses animais poderia servir como comida para muita gente se eles pastassem mais e comessem menos ração, ou se existissem em menor quantidade (se a demanda pela carne fosse menor). Sem contar que o maior consumo de carne está associado a diversas doenças, como diabetes e problemas cardiovasculares.

Mas se há tantas desvantagens, por que ainda acontece?

Até mesmo a ONU já recomendou que a população diminua o consumo de carne, mas o que vem acontecendo é o contrário. No Brasil, por exemplo, o consumo médio de carne bovina era de 36 kg por pessoa por ano em 2010. Em 2013, este número aumentou para 42 kg por pessoa por ano. Isto se deve ao crescimento da população, não só no Brasil, mas no mundo todo. Há uma estimativa de que, em 2050, haverá aproximadamente nove bilhões de pessoas no mundo, mas a sugestão da ONU de que comamos insetos em vez de carne ainda não parece atraente para a maioria. E com um mercado tão grande pedindo pela carne, os produtores aumentam seus rebanhos.

Para evitar os produtos vindos do sistema intensivo, prefira os orgânicos, que vêm de animais criados soltos, sem aditivos na ração e sem agrotóxicos no pasto. Você também pode participar da campanha Segunda sem carne e não precisa ser só às segundas. Se quiser ir mais além, veja nossas dicas para ser vegetariano nos dias úteis da semana (pode ser um bom começo para ser vegetariano todos os dias) e, se for comer ovos, aqui está um bom motivo para preferir os orgânicos. Caso não queira ovos, aprenda a substituí-los.

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